Proposta Pedagógica

Quando vejo uma criança, ela me inspira dois sentimentos: ternura pelo que ela é, e respeito pelo que pode ser.

Jean Piaget

 

O futebol, por si só, não é bom nem ruim. É aquilo que você faz dele.

Katia Rubio

O futebol brasileiro foi gerado, de forma espontânea, nos centros urbanos, nas várzeas, nas praias, nos campinhos de terra, nas quadras de futsal. Com o processo de urbanização nas grandes metrópoles brasileiras, esses espaços onde as crianças brincavam e jogavam bola foram desaparecendo. Então, as crianças que viviam nas grandes cidades encontraram nas quadras de futebol de escolas, clubes, condomínios, igrejas e locais possíveis para a prática, um refúgio para brincar e jogar bola.

Na rua, nos campinhos, nas quadras, praças e parques, as crianças eram livres, agiam segundo a sua determinação, criavam seu mundo de fantasias e, com todas as atividades, brincadeiras, jogos e liberdade criativa, também desenvolviam suas habilidades motoras e intelectuais, favorecendo seu repertório psicomotor também para a prática de atividade física e esportiva, como o futebol.

As facilidades e excessos da vida moderna, em particular a vida digital associada à Internet, TV, smartphones, impulsionam as pessoas, sejam crianças, adolescentes e, até mesmo, adultos, a viver uma vida sedentária, responsável pelo aumento dos fatores de risco à sua saúde física e mental, bem como diminuindo a interação entre as pessoas.

Portanto, com frequência cada vez maior, devemos aperfeiçoar a proposta pedagógica para desenvolver e enriquecer a psicomotricidade, as habilidades sociais, afetivas e cognitivas das crianças e dos adolescentes, para que, na vida adulta, desfrutem do futebol como atividade física e esportiva saudáveis.

Somos adeptos dos ensinamentos do pedagogo João Batista Freire, que entende como inegociáveis estes princípios que devem orientar quem ama e ensina o futebol: ensinar futebol a todos, ensinar futebol bem a todos, ensinar mais que futebol a todos e ensinar a gostar do esporte.

As práticas comuns do futebol na várzea, nos clubes ou nas escolas, costumam dar atenção somente para os mais habilidosos. O futebol deve ser ensinado a “todos”, “[…] de modo que aqueles que já sabem jogar futebol devem ser orientados para aprender a jogar melhor; aqueles que sabem muito pouco ou nada de futebol devem receber toda a atenção até que aprendam, no mínimo, o suficiente” (FREIRE, 2006).

É preciso ensinar futebol bem a todos. O processo pedagógico exige paciência e se deve ensinar o mesmo, e bem, a todos, para que os alunos se desenvolvam e evoluam, cada um a seu tempo, em suas habilidades para jogar futebol.

É preciso ensinar mais que futebol a todos, promovendo e apoiando atividades onde os alunos aprendam a conviver em grupo, construir regras, discuti-las e até discordar, podendo mudá-las, para que haja uma rica contribuição para seu desenvolvimento moral e social.

Contribuir para o desenvolvimento da inteligência do aluno, não pensando apenas no “craque”, mas em sua condição humana; discutir sobre os acontecimentos das aulas, colocando-o em situações desafiadoras, estimulando-o a criar suas próprias soluções para situações-problemas, levando-o a compreender suas ações e consequências.

Crianças e adolescentes devem ser ensvr do esporte, ensinar o futebol com brincadeiras, com diversão, com carinho, com atenção, com liberdade, pois antes de qualquer ensinamento, o aluno precisa aprender a gostar do que faz, sem criar ilusões e promessas de um futuro glorioso e levá-los a engolir treinamentos exaustivos, práticas desagradáveis, tristes, repetitivas ou autoritárias e fazer com que acreditem que isso os transforme em futuros craques.

Uma bagagem de experiências formará bases sólidas para a inteligência, afetividade e sociabilidade do aluno; por outro lado, uma bagagem pobre levará ao comprometimento dessas estruturas.

Em outras palavras, é importante o processo de ensino-aprendizagem, que venha a possibilitar um aprendizado do futebol, mas que este aprendizado técnico não tenha um fim em si mesmo, ou seja, este processo deve estar envolvido em todo um contexto vivenciado pelo aluno. Assim, nossa proposta pedagógica visa ao desenvolvimento global de seus alunos, respeitando seus estágios de crescimento e desenvolvimento físico, cognitivo, social, intelectual, motor, educacionais e esportivo.